sábado

F5


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Certa vez tomei um táxi,
não sei, ao certo, de qual lugar eu vinha.
A motorista era colombiano, falava um portunhol esquisito.
Eu me senti em ‘pulp fiction’e puxei um papo.
Ele ascendeu um cigarro, perguntou de onde eu vinha.
Disse-lhe o lugar e ela comentou que já havia levado alguém lá.
Perguntou então se eu fumava,
respondi-lhe que às vezes, mas que não queria naquele momento,
pois não estava eufórico por ter matado um lutador de boxe.
Ele não entendeu, eu estava me achando o próprio Butch.

Quando ela parou o carro não quis me cobrar à corrida,
eu indaguei do por quê?
Ele retrucou que era pelo fato de ter fumado sem me pedir permissão,
eu lhe dei os 12 reais da corrida, pedi-lhe um cigarro.
Ela pegou o dinheiro e se foi satisfeito, mas o cigarro era muito amargo, ruim que cortava a goela.
Joguei-o na valeta, escorreu pela vala de lama e água da chuva, caiu no bueiro.
Naquela noite não entrei em casa, dormi na rua. Naquela noite quis fazer um filme, ser uma espécie de D. Corleone versão remasterizada, parar de fumar sem ser fumante, tomar uns tragos de vodca, andar durante a noite, a madrugada.

No outro dia, minha mãe me ligava feito louca pra saber onde eu estava, mas eu não estava mais, tinha achado o buraco de minhoca num cesto de lixo, através de um wormhole, e entrado: viajei oito anos pro futuro, e virei taxista na Colômbia.



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4 comentários:

Thierry disse...

hehehe
curtia historia
=]
www.meusquadrinhos.blogspot.com

Henrique disse...

onde estava esse burado? me fala pra mim ir também, mas não para virar taxista!

Nai Rabelo disse...

Adorei!
depois de ter lido, as vezes, me pego desejando parar de fumar e entrar em buraco qualquer (mesmo q n me leve pra Colômbia).

Com nome ou sem... disse...

Mui, mui, mui legal!!!

:D